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Ultimamente tenho tido ideias para escrever. Infelizmente, são ideias estúpidas. Ainda assim, dá-me gosto escrevê-las. Tive uma ideia estúpida que não descanso enquanto não escrever, nem que seja aqui. Não te censuro se não a leres, é estúpida. Mas, aviso-te já, se a leres, não a leves a sério, e mantém a mente aberta - porque, e repito, é estúpida. Ainda assim, boas leituras.


A família vivia numa casa isolada na floresta. Eram um casal e uma idosa. As mentes do casal que cuidava da idosa eram fechadas, e a idosa, coitada, tinha poucos pensamentos, e os que tinha eram vagos e infantis...

Poucos eram os que conheciam a existência daquela pequena família.

A mulher, Valentina, nos seus quase quarenta, tinha um sonho.

O homem, Nicolau, já nos seus quarenta, partilhava o sonho com a sua esposa.

A idosa, Aurora, vivia na sua cadeira de baloiço sem se pronunciar e babava-se, babava-se muito.

Valentina e Nicolau queriam ter um filho. Era esse o seu sonho. 

Valentina, com vergonha, perguntou certo dia a uma amiga, na cidade:

- De onde é que vêm os bebés?

Depois de umas gargalhadas, a amiga respondeu:

- Vêm com as cegonhas! 

Quando chegou a casa, Valentina contou ao marido a sua descoberta e nesse mesmo dia foram à procura de cegonhas, de espingarda às costas. Assim que viu uma, a mulher gritou ao marido e este apertou o gatilho, explodindo com a cabeça do animal, que caiu no chão, fazendo uma poça de sangue ao seu redor. 

Determinada, Valentina puxou da faca e abriu a cegonha ao meio. Revolveu, insistentemente, os órgãos quentes e líquidos do animal e não se deparou com bebé algum. 

Raivosa, voltou à cidade, ainda manchada de sangue e de faca em punho. Tocou à campainha da casa da amiga e, com a faca escondida atrás do corpo, esperou com um sorriso sádico. Quando a amiga apareceu, não desconfiou de nada e, assim que se aproximou para a cumprimentar com um beijo na bochecha, Valentina espetou a faca no seu coração, enterrando-a com força. Deixou-a no chão e foi-se embora, levando consigo a faca e o sangue da cegonha e da amiga que a enganara e lhe dissera que as cegonhas traziam bebés.

Chorou muito, enquanto dava o comer à boca da idosa. 

- Coma, coma, mamã. É canja de cegonha.

 

*

 

No dia seguinte, foi Nicolau quem foi à cidade procurar informações sobre crias.

Perguntou a um amigo, na taberna:

- De onde é que vêm os bebés?

Este, entre soluços respondeu:

- Da pinta da m'nha m'lher!

Ao ouvir isto, Nicolau, saiu da taberna, sóbrio e decidido. Foi até à casa do seu amigo e, quando a sua mulher foi para lhe abrir a porta deu-lhe um encontrão na cabeça, deixando-a inconsciente. Sabendo ele que "pinta" significaria o sexo da mulher, enfiou a mão na vagina da mulher e puxou pelos órgãos escorregadios, espalhando sangue e tudo menos bebés pelo chão. Revoltado, voltou ao encontro de sua mulher e contou-lhe o que acontecera. Esta chorou mais um pouco e agarrou-se a ele.

- A tua mãe já almoçou? - perguntou o marido.

E, como que por magia, surgiu uma ideia a Valentina.

- A minha mãe! A minha mãe é minha mãe! Logo, eu sou filha dela!

Nicolau achou que a mulher era doida por instantes e pediu que se explicasse. Esta ignorou-o e correu até beira da sua mãe.

- Mamã! Diga-me, por favor! De onde é que vêm os bebés!? 

Silêncio.

- Mamã! De. Onde. É. Que. Vêm. Os. Bebés?

Silêncio.

- Mamã! De onde é que eles vêm!? Responda!

Só se ouviam os ossos da idosa a chocar, à medida que a sua filha a abanava e esperneava contra ela. O ultimo barulho que se ouviu antes do longo silêncio que se seguiu foi o do osso do pescoço da idosa a romper. E a baba a escorrer-lhe da boca.

 

*

 

Assim que o cadáver da idosa foi enterrado no quintal, o casal partiu para a cidade, onde se dividiu para tentar saber como é que teriam um filho. 

A mulher perguntou a outra amiga, e o homem perguntou a outro amigo:

- De onde é que vêm os bebés?

A amiga respondeu:

- Dos testículos do teu marido, querida.

E o amigo respondeu: 

- Da barriga da tua esposa, homem! 

Correram para casa.

O momento que se seguiu foi terrível. A mulher tentou esfaquear o homem nos testículos. E o homem tentou esfaquear a mulher na barriga. Acabaram por se matar um ao outro naquela luta pelo seu sonho. Semanas depois, foram encontrados pela polícia, que os procurava por duplo homicídio. 

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1 comentário

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De Filipa Figueiredo a 03.04.2013 às 19:50

Parabéns Pedro, temos escritor. Não cais no sensacionalismo gratuito mas crias um verdadeiro enredo literário. Espero que continues a brincar com a palavra e que entres em histórias onde a ficção se esbarra na realidade. É este o caminho. Gostei muito.
bjkas da Professora Filipa Figueiredo

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